maria amélica
cortou um délico
na fivélica
do sapatélico
foi ao dotólico
não teve culica
e, ela gritou
viva a república
Sem sinal de lá. Sem sinal de cá. Só me vem esta cantoria à cabeça. Pelo menos hoje sem dores de lá. Um descanso.
Aumentaram as dores de nós.
Ficar para sempre é impossível. Ficar na memória é pouco. Um possível reencontro é para quem acredita que acima das nuvens existe um espaço que reúne a energia das almas.
Neste caso será fácil encontrá-la porque será uma energia muito branca, teimosa e, muito doce.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
quinta-feira, 28 de março de 2013
Bom conselho!
Dar bons conselhos é insultar a faculdade de errar que Deus deu aos outros. E, de mais a mais, os actos alheios devem ter a vantagem de não serem também nossos. Apenas é compreensível que se peça conselhos aos outros para saber bem, ao agir ao contrário, que somos bem nós, bem em desacordo com a Outragem.
Bernardo Soares
sábado, 5 de janeiro de 2013
13 anos - poema+conto incompleto
Mas que maçada
Estou para aqui enrolada
Neste manto de tristeza
A esconder a minha beleza!
O CONTO DAS TRÊS ALMOFADAS.
Era uma vez uma menina que tinha três almofadas.
Gostava de todas por igual, para ela eram como se fossem filhas. A mais velhinha era a mais gordinha, depois havia a do meio que era "semi-semi" e ainda a magrinha.
Todas adoravam torradas, estavam sempre a come-las, divertiam-se as quatros muito (a menina e as três almofadas.
Joana
Para além da diferença de tamanhos, não tanto de peso porque a matéria de que são feitas é leve, tinham também cores diferentes. Mais do que isso possuía cada uma delas uma função específica na vida comunitária (a menina e as três almofadas). Por exemplo, a mais gordinha possuía a habilidade especial de fazer uma boa companhia ao dormir, a semi-semi o tamanho exato para ser entalada entre a barriga e as pernas, quando a menina se sentava no sofá de pernas fletidas. Por último, a magrinha não podia ser melhor para quando, a mesma menina, se recostava e precisava de apoio confortável para a cabeça, no braço do sofá. Já me ia esquecendo de lhes descrever a cor. A gordinha tinha várias porque se vestia cada semana de forma diferente. Os vestidos ou melhor as fronhas eram, no entanto, todas elas de cores garridas. A semi-semi, vestia sempre de vermelho vivo e era de todas a mais chique. A magrinha tinha um formato especial em rolinho, em tons de cor de vinho com umas ramagens em verde garrafa.
Enquanto mãe da menina, posso vos assegurar, uma mão cheia de qualidades (que muito admiro) e penso que a tenho vindo a descobrir aos poucos. No entanto, enquanto Avó das almofadas tenho um profundo desconhecimento a respeito das mesmas. Sacudo-lhes o pó mas pouco falam comigo. Neste sentido, devolvo a palavra a quem com elas partilha muitos dos seus segredos.
Avó das almofadas
15 de Setembro de 2007
12 anos - Tema: Uma Árvore que Sonhava Alto
Era uma vez uma árvore chamada Elvira. Elvira era uma árvore baixa e rechonchuda, que sonhava muito. Sonhava muito e muito alto. Elvira tinha vários sonhos: sonhava ir à Lua, sonhava dar a volta ao mundo, sonhava ser rainha...
Porém o seu maior sonho era voar, voar bem alto e passar por dentro das nuvens!
Mas infelizmente era um sonho demasiado grande para uma árvore baixa e rechonchuda como ela.
Portanto quando sonhava com isso sentia-se triste e feliz ao mesmo tempo, a maior parte das vezes triste, pois sabia que aquele sonho nunca se iria realizar... Até que certo dia, quando Elvira estava triste, parou diante dela uma joaninha que lhe sussurrou – “ Basta acreditar para o teu sonho se realizar “.
Elvira ficou meses e meses a pensar naquilo. Passaram-se então cinco anos e ela já não era uma árvore baixa e rechonchuda, tinha crescido e tinha-se tornado uma árvore alta e elegante que todos admiravam.
Tornara-se uma escritora muito famosa. Foi então que certa tarde, quando Elvira estava a escrever “ O Sonhador “, se lembrou da joaninha. Fechou os olhos, respirou fundo e deixou-se levar pela imaginação.
Acreditou que podia voar, o que de facto aconteceu. Elvira voou, voou bem alto lá no céu, passou por dentro das nuvens, acompanhou os pássaros...
E desde então nunca mais ninguém a viu e puseram – lhe a alcunha de “ Elvira a árvore que sonhava alto “.
Nome – Joana Nogueira
Turma – 6º
Nº - 8
Nº de Código - 6651
Lx, 2006
terça-feira, 10 de abril de 2012
Não quero fumar!
4ª tentativa (10 de Abril soa-me bem)
mistura de técnicas: auto hipnose // pastilhas // ziban // e uma vontade de aço (talvez esteja a exagerar na qualidade da liga metálica).
100% sucesso e já lá vão 23 h e 37 minutos.
mistura de técnicas: auto hipnose // pastilhas // ziban // e uma vontade de aço (talvez esteja a exagerar na qualidade da liga metálica).
100% sucesso e já lá vão 23 h e 37 minutos.
segunda-feira, 26 de março de 2012
EU TINHA UMA AMIGA Q SE CHAMAVA MARIA
que me confessou o seguinte, em resposta ao marido no dia do funeral do respectivo casamento, depois dele lhe ter revelado, nesse preciso dia, a respectiva importância:
“Nos dias de funeral é costume enaltecer as qualidades de quem já não se faz ouvir. Se isso fosse possivel, penso que seria qq coisa como: Agora! cabrões de merda qdo me andaram a fuder a puta da vida toda. Uma reacção exagerada ao exagero é certo, mas aos mortos o q lhes poderá interessar o bom senso?
A convição q tivemos por mt tempo, com a soberba que compete, de q mts coisas nos distinguiam em qualidade da maioria dos casais é o que de bom ficou e q não morre. É só nessa verdade q encontro as tuas palavras e, valha-nos isso!
E por isso te agradeço esta homenagem póstuma sem qq ironia.”
E eu vi que à Maria o dia tb lhe tinha custado.
“Nos dias de funeral é costume enaltecer as qualidades de quem já não se faz ouvir. Se isso fosse possivel, penso que seria qq coisa como: Agora! cabrões de merda qdo me andaram a fuder a puta da vida toda. Uma reacção exagerada ao exagero é certo, mas aos mortos o q lhes poderá interessar o bom senso?
A convição q tivemos por mt tempo, com a soberba que compete, de q mts coisas nos distinguiam em qualidade da maioria dos casais é o que de bom ficou e q não morre. É só nessa verdade q encontro as tuas palavras e, valha-nos isso!
E por isso te agradeço esta homenagem póstuma sem qq ironia.”
E eu vi que à Maria o dia tb lhe tinha custado.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Bé
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
A propósito de estrelas
Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz se quando vi o rapaz vi as estrelas
Adília Lopes
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz se quando vi o rapaz vi as estrelas
Adília Lopes
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
submitted paper Agosto 2011
Introdução
As crises vitais fazem parte de todo o nosso percurso enquanto seres humanos. Podem instalar-se em todas as etapas da vida e normalmente são vulgarmente conhecidas por fases de merda. Indecisão doentia ao nível das questões práticas do dia a dia (o chamado falso Alzheimer), cabeça quente e pés frios são igualmente sintomas referidos. A incapacidade de fazer uma simples sobremesa de gelatina tem sido visto por muitos como um último sinal de alerta. Na tentativa de sair deste estado um dos erros frequentes é pensar que se consegue pensar. Por vezes pode até chegar-se a pensar um bocadinho, no entanto, o resultado dessas meditações aparentes aponta normalmente para sentidos sem sentido nenhum.
Com o objectivo de ultrapassar a dita fase foi utilizada uma metodologia multi alvo, sem recurso à ingestão de químicos tanto quanto possível.
Palavras-chave: confusão, sentimento de perda, alergia aguda às férias do costume
Material & Métodos
Um quarto e uma dispensa para remodelar, textos, bolachas, chás, livros, histórias antigas, histórias recentes, inutilidades do ikeia, café, palavras, aspirador, painel de policarbonato modular cristal 2000 x 500, panos velhos, gargalhadas, roupa, almofadas, perfis para segurar o painel de policarbonato modular cristal 2000 x 500, aparafusador eléctrico, enganos, estantes Billy (de qualquer tamanho) e muitos detergentes. Todo este material foi partilhado diariamente com duas amigas. De seguida, limpou-se e arrumou-se repetidamente, tantas vezes quantas as necessárias até clarear a mente, organizar as ideias e, em última análise as assoalhadas mencionadas.
Resultados (sem) discussão
A luz circulou de forma mais fluída, surgiram sombras novas, as cores alteraram-se e a pressão foi baixando lentamente. As noites decorreram calmas. Ganhou-se, aos poucos, a vontade de ir à praia e sabia-se com exactidão onde estavam os fatos de banho.
Conclusão
"Ficar estranho à vida favorece a vida"1
Bibliografia
(1)Agustina Bessa-Luís. Aforismos. Lisboa: Guimarães Editores, 1988
Agradecimentos
Às minhas queridas amigas Leonor e São.
As crises vitais fazem parte de todo o nosso percurso enquanto seres humanos. Podem instalar-se em todas as etapas da vida e normalmente são vulgarmente conhecidas por fases de merda. Indecisão doentia ao nível das questões práticas do dia a dia (o chamado falso Alzheimer), cabeça quente e pés frios são igualmente sintomas referidos. A incapacidade de fazer uma simples sobremesa de gelatina tem sido visto por muitos como um último sinal de alerta. Na tentativa de sair deste estado um dos erros frequentes é pensar que se consegue pensar. Por vezes pode até chegar-se a pensar um bocadinho, no entanto, o resultado dessas meditações aparentes aponta normalmente para sentidos sem sentido nenhum.
Com o objectivo de ultrapassar a dita fase foi utilizada uma metodologia multi alvo, sem recurso à ingestão de químicos tanto quanto possível.
Palavras-chave: confusão, sentimento de perda, alergia aguda às férias do costume
Material & Métodos
Um quarto e uma dispensa para remodelar, textos, bolachas, chás, livros, histórias antigas, histórias recentes, inutilidades do ikeia, café, palavras, aspirador, painel de policarbonato modular cristal 2000 x 500, panos velhos, gargalhadas, roupa, almofadas, perfis para segurar o painel de policarbonato modular cristal 2000 x 500, aparafusador eléctrico, enganos, estantes Billy (de qualquer tamanho) e muitos detergentes. Todo este material foi partilhado diariamente com duas amigas. De seguida, limpou-se e arrumou-se repetidamente, tantas vezes quantas as necessárias até clarear a mente, organizar as ideias e, em última análise as assoalhadas mencionadas.
Resultados (sem) discussão
A luz circulou de forma mais fluída, surgiram sombras novas, as cores alteraram-se e a pressão foi baixando lentamente. As noites decorreram calmas. Ganhou-se, aos poucos, a vontade de ir à praia e sabia-se com exactidão onde estavam os fatos de banho.
Conclusão
"Ficar estranho à vida favorece a vida"1
Bibliografia
(1)Agustina Bessa-Luís. Aforismos. Lisboa: Guimarães Editores, 1988
Agradecimentos
Às minhas queridas amigas Leonor e São.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Parece que os dias estão contados
Morreu um Tio
Não tinha nenhuma doença daquelas
Não sofreu um acidente estúpido
Não fumava
Não era assim tão velho
e, claro, fazia falta a muita gente
Não tinha nenhuma doença daquelas
Não sofreu um acidente estúpido
Não fumava
Não era assim tão velho
e, claro, fazia falta a muita gente
saudades
As míudas neste momento estão LONGE.
A radiosa Lulu foi hoje para Lagos para a grande temporada de praia.
A inesperada Joana está no quarto ao lado a comunicar com o mundo dela.
Estão as duas, ÓPTIMAS!
A radiosa Lulu foi hoje para Lagos para a grande temporada de praia.
A inesperada Joana está no quarto ao lado a comunicar com o mundo dela.
Estão as duas, ÓPTIMAS!
domingo, 10 de julho de 2011
rating's
“E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?
Almeida Garrett - 1810/1877
Almeida Garrett - 1810/1877
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Das Vantagens de Ser Bobo
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
Clarice Lispector
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
Clarice Lispector
domingo, 20 de junho de 2010
Tantra parvoíce
Quando demos por nós estávamos sem grandes hesitações na 1ª aula. Apesar de alguma capacidade de previsão foi surpreendente.
O prédio estava facilmente à nossa espera. O mesmo não se pôde dizer do acesso ao andar já que o destino nos fez errar no elevador que só dava entrada pelos fundos da casa. Como estávamos ligeiramente atrasadas pressionamos a senhora do staff que insistentemente barrava a nossa entrada. Pelo que dizia fazia crer que iríamos passar por cima de corpos meditabundos em êxtase. A simpatia não foi muita e de repente fomos empurradas para um corredor a receber ordens impacientes para nos descalçarmos. Pusemos os sapatos numa sapateira cujas prateleiras desconjuntadas mostravam muitos sapatos desconhecidos. A meio do corredor existia uma outra estante para pormos as malas e, ainda, noutro extremo da casa uma sala mal-amanhada. Mais estantes, da mesma família das anteriores e dois biombos quase encostados à parede serviam de vestiário. Minutos mais tarde vimo-nos em meios fatos de treino, eu de chinelos de enfiar o dedo e a Mrg. de meias, com os pertences completamente espalhados numa casa completamente desconhecida.
E foi assim que entrámos na sala de aula. Já estavam todas sentadas no chão, as outras duas colegas e a mestra. Como já ia para a 3ª pessoa do staff de calças brancas e T-shirt laranja apercebi-me que a aquela seria a indumentária da escola.... Fiquei algo mais descansada porque no meio daquilo tudo foi a primeira coisa a fazer algum sentido.
A mestra um ser franzino e de aparência meio oriental começou a botar faladura num português arrevesado a dizer os verbos no infinitivo e a trocar os géneros das palavras. Nestas aprendizagens meio exotéricas (pelos vistos) até que um toque diferente poderá não ficar mal para compor alguma solenidade. Por exemplo, não teria metade da credibilidade ouvir um apresentador de circo a falar normalmente em lugar de adoptar aquele sotaque idiota do palhaço rico.
Bom, coisa e tal lá começámos com as apresentações e, solicitadas para o efeito, a descrever as motivações que nos tinham levado até ali. A amplitude foi, desde o conhecimento mais aprofundado da prática do yoga até à aceitação da morte!
Seguiu-se a apresentação de umas tantas posturas que copiámos (na maioria das vezes com dificuldade) sempre relacionados a mil benefícios para a saúde física e mental. Ficámos ainda a saber que todo este conhecimento milenar teve origem num tal Chivas e colegas que há 7 mil anos resolveram distintos problemas nas mais diversas áreas da patologia humana, pela simples observação da natureza. Isto faz-me pensar se ele não terá lido qualquer coisa de Aristóteles, mas entretanto não disse nada. Em suma a indisposição relativamente à medicina convencional (a que costumamos socorrermo-nos quando estamos mesmo doentes) é natural uma vez que continuou arrogante desde os tempos mais remotos nas suas insistentes pesquisas. Para além disso serviu-se e continua a servir-se de muitos milhares de Chivas e de métodos progressivamente mais dispendiosos em lugar da observação poética da biodiversidade animal.
Rematámos ainda com a apresentação de outros tantos cursos que se frequentados em simultâneo davam origem a descontos e entradas grátis na sala de meditação. Nãooooo......
O prédio estava facilmente à nossa espera. O mesmo não se pôde dizer do acesso ao andar já que o destino nos fez errar no elevador que só dava entrada pelos fundos da casa. Como estávamos ligeiramente atrasadas pressionamos a senhora do staff que insistentemente barrava a nossa entrada. Pelo que dizia fazia crer que iríamos passar por cima de corpos meditabundos em êxtase. A simpatia não foi muita e de repente fomos empurradas para um corredor a receber ordens impacientes para nos descalçarmos. Pusemos os sapatos numa sapateira cujas prateleiras desconjuntadas mostravam muitos sapatos desconhecidos. A meio do corredor existia uma outra estante para pormos as malas e, ainda, noutro extremo da casa uma sala mal-amanhada. Mais estantes, da mesma família das anteriores e dois biombos quase encostados à parede serviam de vestiário. Minutos mais tarde vimo-nos em meios fatos de treino, eu de chinelos de enfiar o dedo e a Mrg. de meias, com os pertences completamente espalhados numa casa completamente desconhecida.
E foi assim que entrámos na sala de aula. Já estavam todas sentadas no chão, as outras duas colegas e a mestra. Como já ia para a 3ª pessoa do staff de calças brancas e T-shirt laranja apercebi-me que a aquela seria a indumentária da escola.... Fiquei algo mais descansada porque no meio daquilo tudo foi a primeira coisa a fazer algum sentido.
A mestra um ser franzino e de aparência meio oriental começou a botar faladura num português arrevesado a dizer os verbos no infinitivo e a trocar os géneros das palavras. Nestas aprendizagens meio exotéricas (pelos vistos) até que um toque diferente poderá não ficar mal para compor alguma solenidade. Por exemplo, não teria metade da credibilidade ouvir um apresentador de circo a falar normalmente em lugar de adoptar aquele sotaque idiota do palhaço rico.
Bom, coisa e tal lá começámos com as apresentações e, solicitadas para o efeito, a descrever as motivações que nos tinham levado até ali. A amplitude foi, desde o conhecimento mais aprofundado da prática do yoga até à aceitação da morte!
Seguiu-se a apresentação de umas tantas posturas que copiámos (na maioria das vezes com dificuldade) sempre relacionados a mil benefícios para a saúde física e mental. Ficámos ainda a saber que todo este conhecimento milenar teve origem num tal Chivas e colegas que há 7 mil anos resolveram distintos problemas nas mais diversas áreas da patologia humana, pela simples observação da natureza. Isto faz-me pensar se ele não terá lido qualquer coisa de Aristóteles, mas entretanto não disse nada. Em suma a indisposição relativamente à medicina convencional (a que costumamos socorrermo-nos quando estamos mesmo doentes) é natural uma vez que continuou arrogante desde os tempos mais remotos nas suas insistentes pesquisas. Para além disso serviu-se e continua a servir-se de muitos milhares de Chivas e de métodos progressivamente mais dispendiosos em lugar da observação poética da biodiversidade animal.
Rematámos ainda com a apresentação de outros tantos cursos que se frequentados em simultâneo davam origem a descontos e entradas grátis na sala de meditação. Nãooooo......
terça-feira, 13 de abril de 2010
lembrança
o meu Pai fazia anos a 12 de Abril.
No outro dia um amigo que o conheceu dizia-me que ele era "avant la lettre" e eu fiquei muito orgulhosa.
No outro dia um amigo que o conheceu dizia-me que ele era "avant la lettre" e eu fiquei muito orgulhosa.
Famílias
Um tanto por acaso em Março de 2010 encontrámo-nos de novo todos à esquina. Melhor dizendo em Lisboa e particularizando na Possidónio 6º direito, casa que todos partilhámos. Para quem veja do lado de fora, uns estão mais velhos e outros mais crescidos, traduzido em cabelos brancos e centímentros, respectivamente. Do lado de dentro penso que as diferenças não são assim tão significativas.
Não se repetiu nada. Não se pretendeu reviver nada. No entanto ainda andamos todos aí e isso em si é bom.
Assim sendo cada um ficará com as suas próprias interpretações e memórias.
Não se repetiu nada. Não se pretendeu reviver nada. No entanto ainda andamos todos aí e isso em si é bom.
Assim sendo cada um ficará com as suas próprias interpretações e memórias.
Ao final de mais de 1 ano
o tempo é um bem precioso que não deve ser desperdiçado porque tal como a água é um bem natural limitado
segunda-feira, 16 de março de 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)